domingo, 15 de agosto de 2010

Mudaram alguns Fatores de impacto este ano

Recentemente foram atualizados os resultados referentes a 2009 dos fatores de impacto das principais publicações mundiais. 

Preparamos um comparativo entre os resultados de algumas publicações nos anos de 2008 e 2009 para observar o movimento de subida e descida de algumas publicações.
Graf 1- Fatores de impacto dos 10 principais periódicos de Medicina de 2008 e 2009

Graf 2 - Fatores de impacto dos 15 principais periódicos da área de reabilitação de 2008 e 2009
Podemos ver nas figuras algumas mudanças que ocorreram com as colocações dos principais periódicos de medicina (Graf 1), da área da Reabilitação (Graf 2) e dos principais periódicos nacionais (Graf 3) neste ranking mundial, como se fosse uma "bolsa de valores"

O New England Jornal of Medicine sofreu uma leve queda, mas permanece isolado em primeiro lugar. A mesma queda ocorreu com o JAMA que perdeu o segundo lugar para o LANCET. Em curva ascendente destaque a COCHRANE, que ficou entre os 10 mais citados, em uma ascendência ano a ano.

Todos os dados foram baseados no fator de impacto produzido pela editora Thompson e Reuters e publicada anualmente pela ISI - Web of Knowledge através da Journal Citation Reports -JCR.



Graf 3 - Fatores de impacto dos 10 principais periódicos brasileiros de 2008 e 2009.
OBS: Quatro deles não possuíam avaliação em 2008.
 Destacamos as alterações ocorridas nos índices das publicações do Brasil (Graf 3), onde 4 dos 10 principais jornais  não possuiam fator de impacto no ano passado, o que dá a entender que muitos periódicos nacionais terão destaque mundial crescente nos próximos anos.

A Revista Basileira de Fisioterapia ainda não possui fator de impacto pois o mesmo ainda está sendo calculado. Aguardaremos ansiosos pelo resultado no próximo ano.

Para mais detalhes sobre fator de impacto, clique aqui e aqui.


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Efetividade do protetor solar questionada

Vimos com curiosidade a troca de correspondências ocorrida em julho no The Lancet (FI=28,409), debatendo alguns resultados do estudo de Madan e colegas1, publicado em fevereiro/2010. Em um gráfico (figura ao lado), os autores apresentaram  o  aumento das vendas de protetor solar per capita desde 1990 nos Estados Unidos e Inglaterra, porém a incidência de câncer de pele acompanha este crescimento.
A partir dos dados deste estudo, Handel e Ramagopalan2 sugeriram que o aumento do consumo de protetor solar não está relacionado com melhor proteção da população contra o câncer de pele, condição importante para a saúde pública. Sugerem que este recurso talvez não esteja sendo usado de forma adequada, ou pode até mesmo estar sendo inefetivo. Além disso, o seu uso teria o risco potencial de inibir a síntese de vitamina D.
Em resposta, Madan e colegas3 questionam o raciocínio de que a exposição ao protetor solar não se traduz em redução de risco de câncer. Explicam que, embora não se conseguiu comprovar proteção contra o melanoma e o carcinoma das células basais, há ampla evidência do efeito protetor contra carcinoma de células escamosas e lesões precursoras.
Esclarecem ainda que outros estudos demonstraram que o protetor solar pode induzir um comportamento de abuso a exposição solar, o que poderia contribuir para o aumento da incidência da doença, pelo aumento do tempo a exposição a radiação UV.
Mesmo assim, defendem que o uso de protetor solar deve ser recomendado como uma abordagem custo-efetiva para se prevenir o câncer de pele, em especial o carcinoma de células escamosas.
Pontos interessantes:
- O questionamento de uma recomendação amplamente feita em campanhas de prevenção e quetemos como praticamente inquestionável, á partir de dados epidemiológicos.
- O aumento do risco da doença por um comportamento ao pensar que está imune. Ou seja, ao usar protetor solar nos sentimos protegidos e nos arriscamos ficando mais tempo expostos ao sol, o que aumenta o risco.
Por via destas dúvidas, e como já dizia Jorge Ben: “prudência, dinheiro no bolso e canja de galinha não faz mal a ninguém”.  Mas o comportamento é crucial!

Referências:
1. Madan V, Lear JT, Szeimies R-M. Non-melanoma skin cancer. Lancet. 2010 Fev;375:673-85.
2. Handel AE, Ramagopalan SV. The questionable effectiveness of sunscreen. Lancet. 2010 Jul;376(9736):161-2.
3. Madan V, Lear JT, Szeimies R-M. The questionable effectiveness of sunscreen: authors' reply. Lancet. 2010 Jul;376(9736):162.
OBS: Respeite o trabalho alheio! Copiar estas postagens é permitido, desde que citada devidamente a fonte.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Síndrome do túnel do carpo: efetividade da fisioterapia

Neste mês, um grupo de pesquisa holandês publicou no Archives of Physical Medicine and Rehabilitation (FI=2.184) duas grandes revisões sistemáticas sobre a efetividade do tratamento cirúrgico e não cirúrgico para a Síndrome do túnel do carpo1, 2, dividido em dois artigos. O texto com os resultados dos recursos não cirúrgicos se destaca pela quantidade de informação e pela abrangência dada as inúmeras propostas de tratamento já estudadas sobre o assunto, desde imobilizadores, tipos de teclado, incluindo diferentes modalidades fisioterapêuticas.

Muitas dúvidas podem surgir ao se conduzir o tratamento fisioterapêutico de um indivíduo com Síndrome do Túnel do Carpo e uma coletânea do que diz a literatura sobre o assunto nos ajuda a ter algumas diretrizes que podem nos subsidiar mais claramente. Vale ressaltar que, á seguir, será apresentado o atual “estado da arte” sobre o assunto. Estas recomendações, no entanto, podem mudar se ocorrerem avanços nas pesquisas dos temas apresentados. Seguem os principais resultados do estudo, seguido da força de evidência conforme a seguinte escala do nível de evidência:

1. Evidência forte de efetividade: achados positivos e consistentes (mais de 75% de significância) em múltiplos estudos clínicos de alta qualidade.
2. Evidência moderada: achados positivos consistentes (significante) de múltiplos estudos clínicos de qualidade baixa ou de um estudo clínico de alta qualidade.
3. Evidência limitada: achado positivo (significante) de um estudo clínico de baixa qualidade.
4. Evidência conflitante: achados de estudos clínicos com menos de 75% de consistência (significância).
OBS: ao se afirmar que não há evidência significa que estudos de boa qualidade não demonstraram diferenças significantes.

Tala ou imobilização para o punho/mão
- Uma atadura noturna na mão (“brace”) é mais efetivo do que não fazer nada (evidência moderada em curto prazo - 2 semanas - e limitada em médio prazo).
- Tala em posição neutra é mais efetiva que a que mantém o punho em extensão de 20° em curto prazo/2 sem (evidência limitada).
- Usar tala em tempo integral não parece acrescentar benefício a usá-la somente à noite, bem como não há provas de que haja mais benefício ao se comparar o uso de tala isolado com a atadura da mão (“brace”) à noite, nem ao associar a tala com aplicações de laser, ou com exercícios de yoga, em curto prazo.
- Corticosteróide oral é mais efetivo que a tala de punho em curto prazo (evidência moderada)

Ultra-som
- Não há evidências de que o ultra-som seja mais efetivo do que o placebo em curto prazo (2 semanas), mas sim após 7 semanas (evidência moderada).
- Não há evidências de diferenças entre a intensidades de 1,5W/cm² quando comparado com 0,8W/cm² em curto prazo, assim como ao se utilizar freqüências de 1 e 3 MHz.
- O ultra-som é mais efetivo do que o laser em curto prazo (evidência moderada).

Laser
Não há evidências de que o laser seja efetivo ao se comparar com o placebo em curto prazo.

Mobilizações e terapia manual
Mobilização dos ossos do carpo é mais efetiva do que não tratar em curto prazo (evidência limitada). Não houve diferença entre a efetividade da mobilização dos ossos do carpo comparado a mobilização neurodinâmica, em curto prazo; entre a técnica neurodinâmica + tala, comparado com terapia placebo + tala em curto prazo; ou da mobilização de tecidos moles assistida por instrumento (Graston??) + exercícios domiciliares comparada a mobilização de tecidos moles + exercícios domiciliares em médio prazo.
Não há evidência de efetividade da quiropraxia (“thrusts” manuais, massagem miofacial, ultra-som e tala noturna) comparada com tratamento medicamentoso (ibuprofeno) e tala em médio prazo (13 semanas).

Teclados ergonômicos
Teclado ergonômico é mais efetivo que o teclado padrão em 3 meses (evidência moderada), porém não em 6 meses (evidência limitada). Teclados na Apple® e da Microsoft® são mais efetivos que teclados normais em 6 meses (evidência limitada).

Campos magnéticos
Há moderada evidência de efetividade do campo magnético dinâmico (“dynamic magnetic field therapy”) após 2 meses.

Acupuntura
Não há evidências da efetividade da acupuntura com laser em curto prazo (3 sem), ou da acupuntura comparada com corticosteróides em curto prazo (4 sem).

Massagem
Massagem direcionada é mais efetiva que a massagem geral e sessões de massagem de 15 min., 1x/sem associada a auto-massagem diária é mais efetiva que não tratar em curto prazo (evidência limitada).

Compressa quente
Compressa quente é mais efetiva que placebo oral em curto prazo (3 dias de seguimento), porém ventosas (“cupping therapy”) é mais efetivo do que bolsa quente em 7 dias de seguimento (evidência moderada).

Iontoforese
Não há evidência de efetividade da iontoforese de dexametasona ao se comparar com placebo em médio e longo prazo (3 e 6 meses).

Exercícios de deslizamento do tendão e do nervo (“Tendon and Nerve Gliding Exercises”):
Há evidência limitada de que o uso integral de tala (dia e noite) por 6 sem + programa de exercícios + tala noturna por 4 sem + exercícios é mais efetivo que o mesmo tratamento sem os exercícios em curto prazo.
Exercícios neurodinâmicos adicionados ao tratamento padrão (tala noturna+durante atividades pesadas)+exercícios de deslizamento do tendão é mais efetivo que o tratamento padrão (tala) em médio prazo (evidência limitada). Não há evidência de superioridade de efeito entre os tratamentos com: 1. tala+exercícios; 2. tala+ultra-som; 3. tala mais exercícios+ultra-som em curto prazo.

Enfim, as evidências atualmente disponíveis indicam o benefício do ultra-som e do que entendemos ser equipamentos de ondas-curtas pulsado (??), descrito como “campos magnéticos dinâmicos”.  A tala noturna aparentemente ajuda tanto quanto a tala pelo dia todo, sendo sugerido seu uso apenas a noite. Teclados ergonômicos trazem mais benefícios. Massagem local e ventosa parece auxiliar no tratamento.

Vale salientar que as escolhas no mundo real do cotidiano clínico baseiam-se também nos recursos disponíveis, experiência e crenças do profissional e do paciente e vivências de ambos, o que pode variar as escolhas apontadas acima. Destacamos também que os estudos de baixa qualidade metodológica possuem grande risco de viés. Assim, outros estudos, com melhor qualidade, poderão confirmar ou refutar algumas das recomendações acima. 

Referências:
1. Huisstede BM, Hoogvliet P, Randsdorp MS, Glerum S, Middelkoop Mv, Koes BW. Carpal tunnel syndrome. Part I: effectiveness of nonsurgical treatments – a systematic review. Arch Phys Med Rehabil. 2010 Jul;91:981-1003.
2. Huisstede BM, Hoogvliet P, Randsdorp MS, Glerum S, Middelkoop Mv, Koes BW. Carpal tunnel syndrome. Part I: effectiveness of surgical treatments – a systematic review. Arch Phys Med Rehabil. 2010;91:1005-24.
OBS: Respeite o trabalho alheio! Copiar estas postagens é permitido, desde que citada devidamente a fonte.

domingo, 11 de julho de 2010

Biblioteca Cochrane: novo número, novo fator de impacto


Cochrane Library: new issue, new impact factor
A Biblioteca Cochrane (site), mantida pela Colaboração Cochrane (site) é considerada hoje uma das maiores e melhores fontes de evidências de efeitos clínicos na área da saúde e acabou de lançar o número 7 de 2010.
Em seu editorial (acesse aqui)1, David Tovey destacou pontos fortes da biblioteca, formada por uma rede de centenas de colaboradores, quase que na totalidade voluntários, distribuídos em mais de 100 países, que mantêm mais de 500 revisões sistemáticas atualizadas, as quais vem sendo utilizadas por agências internacionais (incluindo a Organização Mundial de Saúde), para nortear tomadas de decisões de pacientes, consumidores, profissionais de saúde e gestores.
Neste mês comemorou o aumento do seu fator de impacto para 5,653, mantendo a tendência de crescimento (2007=4,654, 2008=5,182). As revisões mais citadas e as mais acessadas podem ser visualizadas abaixo.
Mais citados em 2009
Mais acessados em 2009 (Textos completos)
Terapia de reposição de nicotina para a cessação tabágica
64
Intervenções para o tratamento da obesidade em crianças
10432
Antidepressivos para deixar de fumar
60
Intervenções para prevenção de quedas em idosos vivendo na comunidade
8904
Agonistas parciais do receptor da nicotina para a cessação tabágica
52
Intervenções para a prevenção da obesidade em crianças
8096
Intervenções para melhorar a aderência da medicamentação
45
Intervenções para prevenção de quedas em idosos
7177
Cuidados para o paciente internado em Unidade de AVC
45
Exercício ou exercícios e dieta para prevenir o diabetes tipo 2
5814
Hipotermia para recém-nascidos com encefalopatia hipóxico isquêmica
42
Programas de atividade física baseados na escola para promoção da atividade e aptidão física para crianças e adolescentes com idades entre 6-18
5192
Antidepressivos para dor neuropática
37
Superfícies de apoio à prevenção de úlcera de pressão
5071
Imunoterapia injetável para rinite alérgica sazonal
34
Intervenções para melhorar a aderência à medicamentação
5044
Corticosteróides para meningite bacteriana aguda
32
Terapia de reposição de nicotina para a cessação tabágica
4549
Análogos de insulina de ação prolongada versus insulina NPH para diabetes mellitus tipo 2
32

Destaco o número de acessos das revisões sobre quedas em idosos, na tabela acima, e ainda uma nova revisão sobre o uso de musicoterapia para lesões cerebrais adquiridas que tem mostrado efetiva na recuperação da marcha pós AVC (acesso aqui).
Referência:
1. Tovey D. Impact of Cochrane Reviews [editorial]. The Cochrane Library 2010 (7 July). http://www.thecochranelibrary.com/details/editorial/756937/The-Impact-of-Cochrane-Reviews-by-Dr-David-Tovey.html (accessed 11 Jul 2010).

domingo, 4 de julho de 2010

Congresso Nacional da Fisioterapia na Saúde Coletiva

Para acessar a página do evento, clique aqui.

O que é o fator de impacto?


What is the Impact Factor?

O fator de impacto dos periódicos é uma medida da freqüência que artigos publicados em um periódico são citados por ele, ou outros periódicos num determinado período de tempo de dois anos.

O fator de impacto nos permite uma avaliação da importância relativa do periódico, especialmente quando o comparamos com outros na mesma área.

Como é calculado?

O fator de impacto de um periódico é calculado dividindo, o número total de citações dos artigos publicados nos dois anos anteriores, pelo número total dos artigos presentes no periódico no mesmo período.

Exemplo:
- Citações em 1999 de artigos publicados em:
1998 = 7381
1997 = 11226
Número total de citações em 98 + 97 = 18807

- Número de artigos publicados por este determinado periódico em:
1998 = 278
1997 = 315
Número total de artigos publicados em 98 + 97 = 593

Cálculo:
Fator de Impacto = Número total de citações/Número total de artigos publicados
Fator de Impacto = 18807/593 = 31,715

Texto extraído e modificado de: http://gamba.epm.br/impact/impacto.htm
Os fatores de Impacto considerados neste site são referentes ao ano de 2008 e calculados com dados de 2006 e 2007. Utilizamos o fator de impacto produzido pelo "Journal of Citation Reports" (JCR) do Instituto for Scientific Information (ISI).

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dinheiro compra felicidade? Pesquisa mundial responde

Dinheiro compra felicidade? Pesquisa mundial responde:

"Os países pesquisados representam cerca de 96 por cento da população mundial e refletem a diversidade das realidades culturais, econômicas e políticas ao redor do globo."

Os resultados, obtidos a partir da análise dos dados recolhidos no primeiro Gallup World Poll, foi publicado no exemplar deste mês do Journal of Personality and Social Psychology (Fator de Impacto = 5,035).

Como em estudos anteriores, a pesquisa descobriu que a avaliação da própria vida, ou a satisfação com a vida, eleva-se com a renda pessoal e nacional.


Mas os sentimentos positivos, que também aumentam ligeiramente com o aumento da renda, são muito mais fortemente associados com outros fatores, como a sensação de ser respeitado, de ter autonomia e apoio social, e de se ocupar com um trabalho gratificante.

Fonte: Diário da Saúde.

sábado, 26 de junho de 2010

Cuidadores na Web - Segunda palestra

Nesta segunda-feira, dia 28/06/10, às 21 horas, ocorrerá a segunda palestra do programa CUIDADORES NA WEB (clique aqui). Para participe ON LINE AO VIVO!!!! Para fazer sua inscrição, basta clicar aqui.

Totalmente gratuito, neste primeiro será tratado o tema Tratamento da Doença de Alzheimer.

Os próximos são:
3. O papel do cuidador – 10/08/2010
4. Equipe multiprofissional – 17/08/2010
5. Cuidando do cuidador – 09/11/2010

A Associação Brasileira de Alzheimer e doenças Similares (ABRAz), promotora do evento, solicita apoio e presença de vocês, cuidadores e profissionais envolvidos com o cuidado aos portadores da doença.

"Estejam on-line durante a apresentação e discussão do tema, que será ao vivo. Cadastrem-se e enviem suas duvidas, perguntas e e-mails para o programa, durante a sua apresentação.Entrem neste endereço para verem como funcionará. Até lá!!!!!" - ABRAz.

Fonte: ABRAz - Associação Brasileira de Alzheimer e de Doenças Similares