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terça-feira, 8 de março de 2011

Principais publicações de estudos clínicos em Fisioterapia


É pessoal, não é fácil tentar deixar o blog atualizado como ele merece. Nem sempre há tempo para isso, mas demanda há em demasia!

Pois desde novembro de 2010 que tento publicar esta postagem, que relata os achados do artigo de um colega brasileiro, Dr. Leonardo Oliveira Pena Costa, publicado na Physical Therapy1, que identificou os principais periódicos que publicam estudos clínicos de fisioterapia, de melhor qualidade e maiores fatores de impacto.

Para enumerar este ranking de periódicos de interesse para a prática baseada em evidências dos fisioterapeutas, os autores consideraram: o número de estudos clínicos publicados, a média da escala PEDro (escala que avalia a qualidade dos estudos clínicos) de todos os estudos; a média da escala PEDro dos últimos 10 anos (2000-2009), e o fator de impacto do periódico. E o resultados foi:

Conforme número de artigos publicados, periódicos específicos de fisioterapia ficaram em 8º lugar – Physical Therapy, 20º Journal of Physiotherapy e 22º Jounal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy. Os principais foram:

  1. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation (365 estudos);
  2. Clinical Rehabilitation (247 estudos);
  3. Spine (200 estudos);
  4. British Medical Journal (190 estudos);
  5. Chest (185 estudos).
Conforme a média da escala PEDro de todos os estudos:

  1. Journal of Physiotherapy (média = 6,4/10);
  2. JAMA (6,1);
  3. Stroke (5,8);
  4. Spine (5,7);
  5. Clinical Rehabilitation (5,6).
Conforme a média da escala PEDro dos últimos 10 anos:

  1. Journal of Physiotherapy (6,9/10);
  2. JAMA (6,9);
  3. Lancet (6,8);
  4. BMJ (6,3);
  5. Pain (6,3).
Conforme o fator de impacto (2008):

  1. JAMA
  2. Lancet
  3. BMJ
  4. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine
  5. Thorax
Perceba que, os jornais com maiores números de estudos clínicos foram diferentes dos que continham estudos de melhor qualidade. A maioria dos melhores artigos foram publicados em periódicos médicos. Destaque pode ser percebido pela periódico da Associação Australiana de Fisioterapia (Journal of Physiotherapy), por conter os estudos de melhor qualidade, além do Clinical Rehabilitation.

Entre suas conclusões, os autores sugerem que, fisioterapeutas que queiram manter-se atualizados lendo as melhores evidências disponíveis sobre os efeitos de intervenções fisioterapêuticas devem abrir seus horizontes para além de periódicos exclusivos de Fisioterapia, e alertam ainda que estudos de alta qualidade não são publicados, necessariamente, em periódicos de alto impacto.

Referência:

1. Costa LOP, Moseley AM, Sherrington C, Maher CG, Herbert RD, Elkins MR. Core journals that publish clinical trials of Physical Therapy interventions. Physical Therapy. 2010 Nov; 90 (11): 1631-40.

Respeite o trabalho alheio! Copiar estas postagens é permitido, desde que citada devidamente a fonte e incluído o link para acesso direto.

domingo, 12 de setembro de 2010

AVC, AVE ou Derrame?

Na última edição da Revista Neurociências (atalho aqui), em uma carta ao editor (acesso aqui), Rubens José Gagliardi, Professor Titular  de Neurologia  da  Faculdade  de Ciências Médicas  da Santa Casa de São Paulo, debate a denominação "Derrame", "Acidente Vascular Cerebral" e "Acidente Vascular Encefálico".

Resumidamente, o autor sugere seguir recomendações elaborada pela Sociedade de Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV), que consensou em 1996 e ratificou em 2008, a utilização do termo derrame ao se dirigir a um público leigo, e acidente vascular cerebral ao se dirigir a um público especializado.

Esta sociedade não recomenda o termo Acidente vascular encefálico não oferecer benefício semântico significativo em relação aos demais. além de ser impreciso e pouco conhecido.

Vale a pena dar uma olhada nesse artigo curto e cheio de curiosidades sobre esses termos.

OBS: Respeite o trabalho alheio! Copiar estas postagens é permitido, desde que citada devidamente a fonte.

domingo, 11 de julho de 2010

Biblioteca Cochrane: novo número, novo fator de impacto


Cochrane Library: new issue, new impact factor
A Biblioteca Cochrane (site), mantida pela Colaboração Cochrane (site) é considerada hoje uma das maiores e melhores fontes de evidências de efeitos clínicos na área da saúde e acabou de lançar o número 7 de 2010.
Em seu editorial (acesse aqui)1, David Tovey destacou pontos fortes da biblioteca, formada por uma rede de centenas de colaboradores, quase que na totalidade voluntários, distribuídos em mais de 100 países, que mantêm mais de 500 revisões sistemáticas atualizadas, as quais vem sendo utilizadas por agências internacionais (incluindo a Organização Mundial de Saúde), para nortear tomadas de decisões de pacientes, consumidores, profissionais de saúde e gestores.
Neste mês comemorou o aumento do seu fator de impacto para 5,653, mantendo a tendência de crescimento (2007=4,654, 2008=5,182). As revisões mais citadas e as mais acessadas podem ser visualizadas abaixo.
Mais citados em 2009
Mais acessados em 2009 (Textos completos)
Terapia de reposição de nicotina para a cessação tabágica
64
Intervenções para o tratamento da obesidade em crianças
10432
Antidepressivos para deixar de fumar
60
Intervenções para prevenção de quedas em idosos vivendo na comunidade
8904
Agonistas parciais do receptor da nicotina para a cessação tabágica
52
Intervenções para a prevenção da obesidade em crianças
8096
Intervenções para melhorar a aderência da medicamentação
45
Intervenções para prevenção de quedas em idosos
7177
Cuidados para o paciente internado em Unidade de AVC
45
Exercício ou exercícios e dieta para prevenir o diabetes tipo 2
5814
Hipotermia para recém-nascidos com encefalopatia hipóxico isquêmica
42
Programas de atividade física baseados na escola para promoção da atividade e aptidão física para crianças e adolescentes com idades entre 6-18
5192
Antidepressivos para dor neuropática
37
Superfícies de apoio à prevenção de úlcera de pressão
5071
Imunoterapia injetável para rinite alérgica sazonal
34
Intervenções para melhorar a aderência à medicamentação
5044
Corticosteróides para meningite bacteriana aguda
32
Terapia de reposição de nicotina para a cessação tabágica
4549
Análogos de insulina de ação prolongada versus insulina NPH para diabetes mellitus tipo 2
32

Destaco o número de acessos das revisões sobre quedas em idosos, na tabela acima, e ainda uma nova revisão sobre o uso de musicoterapia para lesões cerebrais adquiridas que tem mostrado efetiva na recuperação da marcha pós AVC (acesso aqui).
Referência:
1. Tovey D. Impact of Cochrane Reviews [editorial]. The Cochrane Library 2010 (7 July). http://www.thecochranelibrary.com/details/editorial/756937/The-Impact-of-Cochrane-Reviews-by-Dr-David-Tovey.html (accessed 11 Jul 2010).

domingo, 4 de julho de 2010

O que é o fator de impacto?


What is the Impact Factor?

O fator de impacto dos periódicos é uma medida da freqüência que artigos publicados em um periódico são citados por ele, ou outros periódicos num determinado período de tempo de dois anos.

O fator de impacto nos permite uma avaliação da importância relativa do periódico, especialmente quando o comparamos com outros na mesma área.

Como é calculado?

O fator de impacto de um periódico é calculado dividindo, o número total de citações dos artigos publicados nos dois anos anteriores, pelo número total dos artigos presentes no periódico no mesmo período.

Exemplo:
- Citações em 1999 de artigos publicados em:
1998 = 7381
1997 = 11226
Número total de citações em 98 + 97 = 18807

- Número de artigos publicados por este determinado periódico em:
1998 = 278
1997 = 315
Número total de artigos publicados em 98 + 97 = 593

Cálculo:
Fator de Impacto = Número total de citações/Número total de artigos publicados
Fator de Impacto = 18807/593 = 31,715

Texto extraído e modificado de: http://gamba.epm.br/impact/impacto.htm
Os fatores de Impacto considerados neste site são referentes ao ano de 2008 e calculados com dados de 2006 e 2007. Utilizamos o fator de impacto produzido pelo "Journal of Citation Reports" (JCR) do Instituto for Scientific Information (ISI).

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Como os pacientes são prejudicados na busca pelo lucro

"A ocultação do conhecimento é a arma usada rotineiramente pela indústria para não revelar resultados de testes clínicos com resultados negativos. O resultado, muitas vezes, é a morte do paciente."

Longe de ser novidade, questões éticas e a competição de interesse no trabalho e em pesquisas são recorrentes no dia-a-dia da atenção a saúde das pessoas. Afinal, quem não percebe o cabo de guerra da prescrição orientada pela indústria farmacêutica contra a indicação dos demais recursos terapêuticos não halopáticos, mesmo com o suporte das evidências, por exemplo?

Pela complexidade do tema, pela qualidade do artigo e relevância do mesmo na área da saúde, recomendo o acesso ao artigo “Arquivos Secretos da Medicina: como os pacientes são prejudicados na busca pelo lucro”.

São comentários sobre o artigo "Reporting bias in medical researche - a narrative review", publicado no Jornal Trials (Fator de Impacto = 1.743 ).  Se preferir o artigo original, acesse aqui .

Vale o alerta de que uma adequada prática clínica baseada em evidências visa minimizar viéses, inclusive econômicos, e as questões levantadas no artigo devem ser analisadas sob uma ótica de como os aspectos globais da saúde (visando benefícios individuais) afetam nossas práticas locais, e algumas vezes podem nos influenciar a fazer opções terapêuticas que nem sempre são as melhores para os pacientes.

Recomendo considerar na reflexão não apenas a medicina, mas todas as áreas da saúde na interpretação deste texto, pois é uma narrativa sobre ética, provas científicas e acesso a informação, temas comuns a todas as profissões da saúde.

Arquivos Secretos da Medicina: como os pacientes são prejudicados na busca pelo lucro
Por: Dra. Anna-Sabine Ernst – IQWiG
Fonte: Diário da Saúde
 

"Ninguém sabe quantas vidas de mães e bebês foram salvos pelo fórceps obstétrico. Esse dispositivo tem sido parte do equipamento padrão de todas as maternidades há cerca de 250 anos. Entretanto, paira uma sombra sobre essa história de sucesso: depois que os irmãos Chamberlen desenvolveram o fórceps, no início do século 17, eles e seus descendentes usaram-no por 3 gerações, mas o mantiveram em total segredo dos outros médicos. Ao mesmo tempo em que, graças ao fórceps, a família Chamberlen se tornava rica e famosa, mães e bebês continuaram morrendo no resto do mundo, porque era como se o fórceps ainda não existisse, já que ele não estava disponível em nenhum outro lugar.
 

Segredos na Medicina
 

A história do fórceps obstétrico é um dos mais antigos exemplos documentados mostrando quais são as conseqüências que o segredo pode ter na medicina. Mas está longe de ser o único.
Continua aqui ...

sábado, 15 de maio de 2010

Acupuntura: a tradição antiga encontra a ciência moderna


Acupuncture: ancient tradition meets modern science

Dado que é um tratamento relativamente seguro e amplamente executado, a questão se a acupuntura é ou não um tratamento de saúde eficaz, portanto, é altamente relevante. É por isso que os grupos de pesquisa da Colaboração Cochrane têm preparado várias revisões sistemáticas que avaliam a eficácia da acupuntura para problemas de saúde.

O grupo Cochrane de Medicina Complementar  apóia e promove a produção de Revisões Cochrane de acupuntura, e, nesta semana, ajudou a preparar uma coleção especial, com mais de 25 assuntos já publicados na Biblioteca Cochrane, como mostrado abaixo (ou aqui, no original).

Lamentavelmente, nesta listagem, não há a conclusão dos autores sobre a efetividade dos recursos, ou seja, o estado atual das evidências para aquela abordagem, mas já serve como guia para vislumbrar a riqueza de possibilidades oferecidas pela técnica. Os estudos podem ser acessados na íntegra através da Bireme.

Mesmo não sendo acunputurista, sempre fui simpatizante da filosofia do tratamento.

Seguem os links com o recurso de tradução para o português.

Asma
Olhos e visão
Doenças gastrointestinais
Dor de cabeça
Saúde Mental
Lesões músculo-esqueléticas (incluindo artrite)
Náuseas e vômitos
Doenças neurológicas (incluindo acidente vascular cerebral)
Distúrbios do sono
Tabagismo e dependência de drogas
Saúde da Mulher
Acupuntura para fibróides uterinos

Mais dados sobre efetividade da acupuntura neste blog

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Consort 2010

A documento "CONSORT 2010 statement" foi co-publicado por oito jornais no mês passado, incluindo The LancetTrials, BMC Medicine, PLoS Medicine, Annals Internal Medicine. Todos os periódicos disponibilizaram acesso gratuíto ao artigo, o que permitirá uma enorme vizualização ao mesmo.

Construído sob novas evidências e experiências, a versão revisada das diretrizes para ensaios clínicos tem a intenção de melhorar os relatórios de ensaios clínicos controlados randomizados através de uma lista de verificação (cheklist) dos itens essenciais a serem utilizados por autores, revisores e editores.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Evidências na PEDro

Evidences on PEDro

Aproveito o comentário do colega Humberto Neto, do site O Guia do Fisioterapeuta, para adicionar algumas informações sobre a qualidade e quantidade das evidências publicadas na área da Fisioterapia.
Desde 2002 tem sido periodicamente mostrado o número de referências de estudos clínicos e revisões sistemáticas armazenados na base de dados PEDro (Physiotherapy Evidence Database) desde seu início, em 19991.
Observa-se na figura abaixo o crescente número de estudos clínicos randomizados e revisões sistemáticas arquivados nesta base de dados até 2002 (Figura 1 esq), bem como a qualidade média dos mesmos (Figura 1 dir).

Em 2008, a atualização destes números manteve a tendência de crescimento e a inclusão dos “Practice guidelines”, ou diretrizes de tratamento (Figura 2 esq), bem como se observou um leve incremento da qualidade dos mesmos (Figura 2 dir) 2.

Figura 2 – Esquerda: Número cumulativo de estudos clínicos, revisões sistemáticas e diretrizes clínicas baseadas em evidências (até set de 2007). Direita: Freqüência da distribuição de Score PEDro para 9.475 estudos clínicos arquivados até set de 2007. Fonte: Maher et al, 20082.
Em 2009, Elkins e Ada mensuraram, de forma semelhante à demonstrada pelos estudos acima, a qualidade metodológica do todos os estudos clínicos (47) publicados no Jornal Australiano de Fisioterapia. Observaram que a maioria dos estudos tinham uma qualidade acima de 7/103 (Figura 3 dir), enquanto que a nota que se destaca nos estudos arquivados na PEDro é 5/10 (Figura 3 esq) .
Figura 3 – Esquerda: Distribuição do resultado dos Score PEDro dos estudos clínicos arquivados na Base de dados PEDro entre 2005 e 2009 (n = 3508). Direita: Distribuição do Score PEDro dos artigos publicados no Jornal Australiano de Fisioterapia (n=47). Fonte: Elkins e Ada, 20093.
No Brasil, destacamos a análise feita recentemente por Coury e Vilella e publicado na Revista Brasileira de Fisioterapia. Elas demonstraram o crescimento do número de fisioterapeutas pesquisadores (doutores, em dez de 2009 = 573) e suas publicações ISI/JCR (1,99 publicações ao ano), bem acima da média nacional das demais áreas (1,44)4, reforçado por editorial em número subseqüente5 e release para a imprensa. Contraditoriamente ao crescimento de 900% no número de doutores em 10 anos, foi a área que recebeu menos apoio financeiro do CNPq por pesquisador (R$ 28,02 por pesquisador), um exemplo de resiliência .
Tudo isso vem corroborar que, no exterior e no Brasil, a quantidade e a qualidade das evidências em Fisioterapia está melhorando a cada ano. Várias hipóteses são aventadas, mas não podemos negar que, dessa forma, corremos atrás da comprovação de que o que fazemos no dia-a-dia, e faremos no futuro, de fato, é efetivo cientificamente (ou não!).
Referências:
1. Moseley AM, Herbert RD, Sherrington C, Maher CG. Evidence for physiotherapy practice: A survey of the Physiotherapy Evidence Database (PEDro). Australian Journal of Physiotherapy 2002:48:43-9.
2. Maher CG, Moseley AM, Sherrington C, Elkins MR, Herbert RD. A Description of the trials, reviews, and practice guidelines indexed in the PEDro Database. Physical Therapy 2008:88(9):1068-77.
3. Elkins M, Ada L. Quality of trials in Australian Journal of Physiotherapy. Australian Journal of Physiotherapy 2009:55:233-4.
4. Coury HJCG, Vilella I. Perfil do pesquisador fisioterapeuta brasileiro. Revista Brasileira de Fisioterapia 2009:13(4):356-63.
5. Salvini TF. Estudo inédito sobre o pesquisador fisioterapeuta brasileiro. Revista Brasileira de Fisioterapia 2009:13(5):v-vi.