sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Pilates pode ser proposto para tratar lombalgia


Os métodos terapêuticos ganham espaço na mídia e aceitação das pessoas de várias formas. Algumas tem seu reconhecimento avalizado pelo método científico após adequadamente mensurado risco e benefício. Outras vezes, o espaço é adquirido pela procura da população ou apelo do mercado. Outras vezes, a mídia se encarrega de popularizar métodos e técnicas. Outros recursos são popularizados pelo uso e tradição. Exemplos destas situações podem ser, respectivamente, algumas técnicas manuais (manobras de reposição vestibular), a drenagem linfática, a Reeducação Postural Global (RPG) e "fisioterapia tradicional", pela ordem.

Um exemplo curioso de como aproveitar o apelo social (de mercado), a exposição na mídia, e o embasamento para validação científica está sendo feito pelo Pilates. Recentemente, foi divulgada uma revisão sistemática1 com objetivo de agrupar todos os ensaios clínicos controlados que utilizaram o Pilates para tratar lombalgia. Uma ampla busca foi proposta em nove bancos de dados e listas de referências até maio de 2010. Desfechos como mudanças na função corporal, qualidade de vida e dor foram definidos.

Foram encontrados quatro estudos clínicos randomizados e controlados, totalizando 218 participantes, com qualidade metodológica baixa e heterogêneos quanto a população, grupos de controle, critérios de inclusão e exclusão, e medidas de resultados, impedindo seu agrupamento em metanálise. Foi observada uma redução significante na intensidade da dor, da incapacidade, melhor adesão e resposta ao tratamento (um estudo, n=53, risco de viés altíssimo); aumento da saúde geral, função no esporte, flexibilidade, propriocepção e diminuição da dor lombar (n=54, risco de viés moderado); diminuição significativa da incapacidade e intensidade da dor (n=39, risco de viés baixo); e redução de 50% da dor em 70% das pessoas tratadas (n=87, risco de viés alto).

Porém esta não é a primeira revisão sistemática sobre o assunto. Silva e Mannrich2 foram os pioneiros e publicaram no ano passado sua revisão em português. Á despeito da limitada abrangência (utilizaram apenas duas bases de dados, um único termo de busca e restringiram os anos dos artigos) concluiram que "o método pode ser utilizado na reabilitação em diferentes populações, incluindo gestantes e idosos, com diferentes finalidades, entre elas: tratamento da lombalgia, correção postural, ganho de massa óssea, e de força no período pós-operatório; sendo mais indicado no tratamento da lombalgia, independente da idade."
O Pilates está longe de ser um padrão ouro para o tratamento da lombalgia. Para isso, outros estudos devem comparar o resultado terapêutico do método com outros recursos como a estabilização vertebral, ou mesmo opções terapêuticas mais "tradicionais" como a eletroterapia, orientações em escola de coluna, cinesioterapia das mais variadas formas, entre outros recursos.
Enfim, é cedo pra evidenciar a validade terapêutica do Pilates para tratar lombalgia, e outras disfunções, mas o caminho para isso está traçado, pois outros estudos clínicos devem ser providenciados á partir da revisão de Posadzki e colaboradores.

NOTA: Vale lembrar que toda e qualquer opção terapêutica deve ser discutida e orientada por profissional de saúde competente na área, e a tomada de decisão sobre sua utilidade ou não, deve ser uma opção consensual entre os profissionais assistentes e o paciente. Se você é portador de alguma disfunção funcional, pergunte ao seu fisioterapeuta sobre as opções disponíveis para o seu tratamento ou acompanhamento funcional.

Referência:

1. Posadzki P, Lizis P, Hagner-Derengowska M. Pilates for low back pain: A systematic review. Complementary Therapies in Clinical Practice. 2010; xx (xx): 1-5. In press.

2. Silva ACLG, Mannrich G. Pilates na reabilitação: uma revisão sistemática. Fisioter Mov. 2009 jul/set; 22 (3): 449-55. Acesse aqui.
OBS: Respeite o trabalho alheio! Copiar estas postagens é permitido, desde que citada devidamente a fonte.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Exercício é fundamental para indivíduos com artrose


A osteoartrite é uma doença crônica das articulações. O quadril e joelho são as regiões dos membros inferiores mais comumente afetadas. Osteoartrose provoca dor, rigidez, inchaço, instabilidade articular e fraqueza muscular, que pode levar a disfunções e redução da qualidade de vida.

Tratamento conservador através de estratégias não-farmacológicas, particularmente o exercício, são recomendados por todas as diretrizes clínicas para a gestão da osteoartrite e metanálises apoiam recomendações de exercícios. Em uma ampla revisão recente1, publicada no "Journal os Science and Medicine in Sport" (fator de impacto=1,570), foram fornecidos subsídios para a prescrição de exercício em pacientes com osteoartrite do quadril ou do joelho.

Tipos de exercícios:

Exercícios aeróbicos, de fortalecimento, exercícios aquáticos e Tai Chi são cruciais para melhorar a dor e função em pessoas com osteoartrite com benefícios em toda a gama de severidade da doença. A dosagem ótima de exercício ainda está para ser determinada e uma abordagem individualizada para a sua prescrição é necessária, com base numa avaliação das deficiências, das preferências do paciente, sua morbidade e acessibilidade.

Alguns pontos-chave:

- Maximizar a adesão é um elemento importante para o sucesso da cinesioterapia (terapia por exercícios). Isso pode ser reforçado pela utilização de sessões de exercício supervisionado (possivelmente no formato de aula) no período inicial, seguido de exercícios domiciliares.

- Retornos para consultas intermitente, ou a participação em sessões de "reciclagem" ou aulas de ginástica em grupo também podem ajudar a longo prazo na aderência e melhora os resultados.

Poucos estudos avaliaram os efeitos do exercício sobre a progressão da doença estrutural e não há atualmente nenhuma evidência para mostrar que o exercício pode ser modificadores da doença.

Assim, o exercício físico orientado individualmente, baseado numa boa avaliação cinesiológica funcional prévia e planejado de acordo com as crenças, porém pautado em expectativas realísticas, tem um papel importante no manejo de sintomas nos indivíduos com osteoartrite do quadril e/ou do joelho.

Referência:

1. Bennell KL, Hinman RS. A review of the clinical evidence for exercise in osteoarthritis of the hip and knee. Journal of Science and Medicine in Sport 2010; xx (xx): 1-6. In press.
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domingo, 17 de outubro de 2010

A capacidade funcional prevê mortalidade precoce


Evidências crescentes indicam que a capacidade física (capacidade de executar tarefas físicas diárias) prevê o futuro da saúde e mortalidade. Em uma revisão sistemática recentemente publicada no BMJ1, os investigadores determinaram as associações entre as medidas objetivas simples das capacidades físicas com a mortalidade precoce, em idosos e demonstraram que a força de preensão, velocidade da marcha, levantar da cadeira e equilíbrio em pé são marcadores em idosos.

A maioria dos estudos encontrados na revisão sistemática envolveu pessoas com mais de 60 anos. O seguimento variou de 5 a 20 anos. Metanálise de 14 estudos que envolveram 53.000 pessoas mostrou que aqueles no quartil de menor força de preensão tiveram 67% mais chances de morrer durante o acompanhamento do que pessoas no quartil mais alto. Metanálise de cinco estudos que envolveram 15.000 pessoas mostrou que aqueles no quartil com velocidade de caminhada mais lenta, têm três vezes mais probabilidades de morrer durante o acompanhamento de pessoas no menor quartil. Metanálise de cinco estudos que envolveram 28.000 pessoas mostrou que aqueles no quartil mais lento para levantar da cadeira tiveram probabilidade dobrada de morrer durante o acompanhamento. Todas as análises foram ajustadas para idade, sexo e tamanho do corpo.

Apesar de encontrados estudos heterogêneos, as medidas objetivas da capacidade física como a força de preensão manual, velocidade de caminhada, para levantar da cadeira e o equilíbrio em pé são capazes de prever a mortalidade precoce de idosos que vivem na comunidade. As vias pelas quais essas medidas estão associadas com a mortalidade não são claras, mas os resultados podem ser úteis para identificar idosos em risco de morte prematura.

Tais medidas fazem parte da propedêutica usual dos clínicos que atendem idosos, incluindo fisioterapeutas especializados neste tipo de cuidados. Vale lembrar que a abordagem fisioterapêutica especializada já está bem fundamentada para diminuir o risco de quedas, morbidade e mortalidade em idosos, principalmente através da reabilitação vestibular individualizada. No entanto, são necessários capacitação e treinamento adequado por parte do profissional que irá realizar o tratamento.

Fonte: Journal Watch General Medicine October 5, 2010

Referência:

1. Cooper R, Kuh D, Hardy R, all e. Objectively measured physical capability levels and mortality: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2010; 314 (c4467): 1-12.Texto completo aqui.
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Glucosamina e condroitina para artrose, isso funciona?


Mesmo indo além do escopo deste site, decidimos divulgar os resultados desta pesquisa pela importância da publicação e relação direta com o tratamento medicamentoso adotado por muitos pacientes sob tratamento fisioterapêutico e que por vezes, se questionam sobre seu tratamento alopático.

O último número da Revista BMJ (FI=13,660) publicou uma metanálise1 avaliando a eficácia da condroitina e glicosamina, comparada a placebo. Foram agrupados os resultados de 10 ensaios clínicos, totalizando 3803 indivíduos. Foram considerados como desfechos a diminuição da dor e o espaço articular.


Fonte da figura aqui 
Todos os resultados não atingiram significância estatística, seja utilizando as drogas isolada ou combinadamente. Curiosamente, o estudo apresentou efeitos menores em estudos clínicos não financiados pela indústria farmacêutica.

Assim, os autores concluíram que: "Comparado com placebo, glucosamina, condroitina, e sua combinação não reduzem a dor articular ou têm impacto na diminuição do espaço articular'. Os autores recomendam ainda que "as autoridades de saúde e seguradoras de saúde não devem cobrir os custos destas preparações, e novas receitas para pacientes que não receberam o tratamento devem ser desencorajadas".

OBS: Destaco que esta informação tem caráter informativo e não deve servir para subsidiar qualquer alteração em tratamento previamente prescrito por profissional de saúde legalmente habilitado.

Referência:

1. Wandel S, Jüni P, Tendal B, Nüesch E, Villiger PM, Welton NJ, et al. Effects of glucosamine, chondroitin, or placebo in patients with osteoarthritis of hip or knee: network meta-analysis. BMJ. 2010 16 set;341:c4675. Texto completo aqui.
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domingo, 26 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Palestra gratuita: Dia mundial da Doença de Alzheimer




Palestra do site Cuidadores na Web - Dia Mundial da Doença de Alzheimer

Data: 21/9 (terça-feira)

Horário: 21h

Tema: Equipe Multidisciplinar

Convidado: Dr. Ivan Hideyo Okamoto (médico)

domingo, 12 de setembro de 2010

AVC, AVE ou Derrame?

Na última edição da Revista Neurociências (atalho aqui), em uma carta ao editor (acesso aqui), Rubens José Gagliardi, Professor Titular  de Neurologia  da  Faculdade  de Ciências Médicas  da Santa Casa de São Paulo, debate a denominação "Derrame", "Acidente Vascular Cerebral" e "Acidente Vascular Encefálico".

Resumidamente, o autor sugere seguir recomendações elaborada pela Sociedade de Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV), que consensou em 1996 e ratificou em 2008, a utilização do termo derrame ao se dirigir a um público leigo, e acidente vascular cerebral ao se dirigir a um público especializado.

Esta sociedade não recomenda o termo Acidente vascular encefálico não oferecer benefício semântico significativo em relação aos demais. além de ser impreciso e pouco conhecido.

Vale a pena dar uma olhada nesse artigo curto e cheio de curiosidades sobre esses termos.

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Balance rehabilitation - da pesquisa para a prática clínica

Baita curso, promovido pelas Profas Camila Torriani-Pasin e Maria Teresinha Baldessar Golineleo, após o Congresso da  IBITA (Associação Internacional dos Instrutores do Conceito Bobath -  verifique aqui), em Florianópolis, SC, nos dias 5 e 6 de setembro.

Ann Shumway-Cook, PT, PhD
Marjorie Woollacott, PhD
Marjorie Woollacott e Ann Shumway-Cook expuseram as evidências mais recentes sobre o treinamento para recuperação do equilíbrio e controle postural, principalmente em idosos, portadores de sequelas de Acidente Vascular Encefálico, Doença de Parkinson e Paralisia Cerebral.

Abordagens diversas como treinamento de duplas tarefas, terapia por contensão induzida (de membros superiores e inferiores) foram discutidos e resultados de pesquisas foram apresentados. Surgiram debates produtivos sobre intensidade dos exercícios, recursos de realidade virtual, etc.

O melhor, no entanto, foram os exercícios práticos de avaliação clínica objetiva do equilíbrio corporal, que enfatizaram os aspectos motores, sensitivos e cognitivos do equilíbrio.

A Profa. Ann Shumway se formou fisioterapeuta em 1969, e é co-autora do livro Controle motor: Teoria e Aplicações, Práticas, juntamente com a Profa. Marjorie Woollacott. Mais informações sobre a abordagem do curso visite aqui.

Parabéns aos organizadores do evento e obrigado as professoras pelo conhecimento e experiência transmitidos!

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