quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Glucosamina e condroitina para artrose, isso funciona?


Mesmo indo além do escopo deste site, decidimos divulgar os resultados desta pesquisa pela importância da publicação e relação direta com o tratamento medicamentoso adotado por muitos pacientes sob tratamento fisioterapêutico e que por vezes, se questionam sobre seu tratamento alopático.

O último número da Revista BMJ (FI=13,660) publicou uma metanálise1 avaliando a eficácia da condroitina e glicosamina, comparada a placebo. Foram agrupados os resultados de 10 ensaios clínicos, totalizando 3803 indivíduos. Foram considerados como desfechos a diminuição da dor e o espaço articular.


Fonte da figura aqui 
Todos os resultados não atingiram significância estatística, seja utilizando as drogas isolada ou combinadamente. Curiosamente, o estudo apresentou efeitos menores em estudos clínicos não financiados pela indústria farmacêutica.

Assim, os autores concluíram que: "Comparado com placebo, glucosamina, condroitina, e sua combinação não reduzem a dor articular ou têm impacto na diminuição do espaço articular'. Os autores recomendam ainda que "as autoridades de saúde e seguradoras de saúde não devem cobrir os custos destas preparações, e novas receitas para pacientes que não receberam o tratamento devem ser desencorajadas".

OBS: Destaco que esta informação tem caráter informativo e não deve servir para subsidiar qualquer alteração em tratamento previamente prescrito por profissional de saúde legalmente habilitado.

Referência:

1. Wandel S, Jüni P, Tendal B, Nüesch E, Villiger PM, Welton NJ, et al. Effects of glucosamine, chondroitin, or placebo in patients with osteoarthritis of hip or knee: network meta-analysis. BMJ. 2010 16 set;341:c4675. Texto completo aqui.
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domingo, 26 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Palestra gratuita: Dia mundial da Doença de Alzheimer




Palestra do site Cuidadores na Web - Dia Mundial da Doença de Alzheimer

Data: 21/9 (terça-feira)

Horário: 21h

Tema: Equipe Multidisciplinar

Convidado: Dr. Ivan Hideyo Okamoto (médico)

domingo, 12 de setembro de 2010

AVC, AVE ou Derrame?

Na última edição da Revista Neurociências (atalho aqui), em uma carta ao editor (acesso aqui), Rubens José Gagliardi, Professor Titular  de Neurologia  da  Faculdade  de Ciências Médicas  da Santa Casa de São Paulo, debate a denominação "Derrame", "Acidente Vascular Cerebral" e "Acidente Vascular Encefálico".

Resumidamente, o autor sugere seguir recomendações elaborada pela Sociedade de Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV), que consensou em 1996 e ratificou em 2008, a utilização do termo derrame ao se dirigir a um público leigo, e acidente vascular cerebral ao se dirigir a um público especializado.

Esta sociedade não recomenda o termo Acidente vascular encefálico não oferecer benefício semântico significativo em relação aos demais. além de ser impreciso e pouco conhecido.

Vale a pena dar uma olhada nesse artigo curto e cheio de curiosidades sobre esses termos.

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Balance rehabilitation - da pesquisa para a prática clínica

Baita curso, promovido pelas Profas Camila Torriani-Pasin e Maria Teresinha Baldessar Golineleo, após o Congresso da  IBITA (Associação Internacional dos Instrutores do Conceito Bobath -  verifique aqui), em Florianópolis, SC, nos dias 5 e 6 de setembro.

Ann Shumway-Cook, PT, PhD
Marjorie Woollacott, PhD
Marjorie Woollacott e Ann Shumway-Cook expuseram as evidências mais recentes sobre o treinamento para recuperação do equilíbrio e controle postural, principalmente em idosos, portadores de sequelas de Acidente Vascular Encefálico, Doença de Parkinson e Paralisia Cerebral.

Abordagens diversas como treinamento de duplas tarefas, terapia por contensão induzida (de membros superiores e inferiores) foram discutidos e resultados de pesquisas foram apresentados. Surgiram debates produtivos sobre intensidade dos exercícios, recursos de realidade virtual, etc.

O melhor, no entanto, foram os exercícios práticos de avaliação clínica objetiva do equilíbrio corporal, que enfatizaram os aspectos motores, sensitivos e cognitivos do equilíbrio.

A Profa. Ann Shumway se formou fisioterapeuta em 1969, e é co-autora do livro Controle motor: Teoria e Aplicações, Práticas, juntamente com a Profa. Marjorie Woollacott. Mais informações sobre a abordagem do curso visite aqui.

Parabéns aos organizadores do evento e obrigado as professoras pelo conhecimento e experiência transmitidos!

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domingo, 29 de agosto de 2010

Publicar ou perecer

No mundo acadêmico, tão importante quanto fazer a descoberta é divulgá-la entre os pares, papel das revistas científicas. Editor de uma delas, Carlo Magenta Cunha fala no Estúdio CH sobre a importância, as dificuldades e o futuro de tais publicações.

Para ouvir a entrevista sobre processo de publicação, fator de impacto, e acesso as publicações, acesso o link abaixo:

Publicar ou perecer — Instituto Ciência Hoje

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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Doença de Ménière

“A quantidade de informações no mundo dobrou nos últimos dez anos e continua a dobrar a cada 18 meses. Porém, aproximadamente 150 anos se passaram desde que Prosper Ménière descreveu pela primeira vez a constelação de sintomas que é chamada Doença de Ménière, cuja etiologia definitiva e o tratamento resolutivo estão ainda faltando.” Foi assim que iniciou o editorial do jornal Otalaryngologic Clinics of North America (FI=1,136), divulgado este mês, com um número só sobre este problema1.
A também chamada Síndrome de Ménière é uma doença do ouvido interno caracterizada por ataques de vertigem, perda auditiva, plenitude aural e zumbido. Á princípio, tem origem idiopática e não se conseguiu atribuí-la a qualquer causa2. Ainda há dúvidas sobre se o que causaria fenômenos vestibulares e auditivos teria origem em alguma doença metabólica, do desenvolvimento, genética, auto-imune ou infecciosa. Provavelmente é multifatorial1.
A incidência e prevalência variam muito, de acordo com os estudos. São mencionadas prevalências entre 3,5/100mil e 513/100mil. Um grande estudo com mais de 60 milhões de pessoas encontrou uma prevalência de 190 casos a cada 100 mil habitantes (1,89 mulheres para cada homem), que aumenta com a idade. As limitações provocadas pela doença são substanciais, especialmente na qualidade de vida 3.
Operacionalmente falando, a Doença de Ménière é um ouvido frágil, ou poderia ser definido como um ouvido em degeneração, que tem sua homeostasia abalada, resultando em instabilidade da audição e do equilíbrio. Não há um teste clínico definitivo para a doença, e seu principal diagnóstico diferencial é a enxaqueca. Os ataques podem ser controlados na maioria dos casos, mas a perda auditiva tendem a não responder com o tratamento4.
É defendido que um processo chamado hidrópsia endolinfática seja responsável pela doença, sem uma definição do mecanismo exato, uma vez que nem sempre a presença de hidropsia resulta em sintomas. Mesmo assim, evidencias indicam que o controle da hidropsia pode ser a chave para manter a doença em remissão e controle dos sintomas5.
Há casos, como para algumas mulheres com a doença, em que ocorre piora dos sintomas durante o período pré-menstrual, assim como enxaqueca. Nestes casos, um calendário controlando os sintomas, dieta e a menstruação podem ser úteis para o entendimento da doença e ajudar no tratamento. Dieta com restrição de sódio (sal) e diuréticos são efetivos para auxiliar no controle dos sintomas para a maioria dos pacientes6.
Acomete adultos, entre 20-60 anos, e ocorre em mais de 10% de pacientes com mais de 65 anos. O tratamento em idosos é desafiador pela polifarmácia. Nestes casos, alguns remédios (antivertiginosos:betahistidina, cinarizina) dão bons resultados em efeitos secundários menores. Em contraste, outras drogas (supressores vestibulares: thiethylperazin) devem ser evitadas por longos períodos pelos efeitos colaterais. Procedimentos cirúrgicos são opcionais e caso dependentes. Terapia ablativa pode ser eficiente em casos de ataques de queda, pelo risco potencial de outras lesões e conseqüências sociais da queda no idoso7.
O tratamento principal não é cirúrgico, porém a falta de entendimento da natureza da condição torna impossíveis tratamentos definitivos. O tratamento moderno é focado para controlar os sintomas8.
Os sintomas flutuantes de perda auditiva, zumbido e sensação subjetiva de ouvido cheio (plenitude aural) são acompanhados de vertigem. Ao longo destes sintomas, pacientes crônicos desenvolvem sintomas de desequilíbrio e instabilidade que se estendem além dos períodos de crise e contribuem para a deficiência e reduzem a qualidade de vida. Por isso, a Fisioterapia (através da Reabilitação vestibular) tem sido indicada após a perda vestibular ter sido estabilizada pela ablação vestibular, ou para pacientes estáveis em tratamento medicamentoso sem flutuação dos sintomas. Quando utilizada adequadamente, é capaz de promover melhora subjetiva das queixas e do equilíbrio mensurado objetivamente. Há iniciativas propondo a extensão da reabilitação vestibular para pacientes não estáveis também9.

Referências:
1. Harris JP, Nguyen QT. Meniere's Disease: 150 years and still elusive Otolaryngologic Clinics of North America. 2010 Oct;43(5):xiii-xiv.
2. Agrawal Y, Minor LB. Physiologic effects on the vestibular system in Meniere's Disease. Otolaryngologic Clinics of North America. 2010 Oct;43(5):985-93.
3. Alexander TH, Harris JP. Current epidemiology of Meniere's Syndrome. Otolaryngologic Clinics of North America. 2010 Oct;43(5):965-70.
4. Rauch SD. Clinical hints and precipitating factors in patients suffering from Meniere's Disease. Otolaryngologic Clinics of North America. 2010 Oct;43(5):1011-7.
5. Salt AN, Plontke SK. Endolymphatic Hydrops: Pathophysiology and Experimental Models. Otolaryngologic Clinics of North America. 2010 Oct;43(5):971-83.
6. Andrews JC, Honrubia V. Premenstrual exacerbation of Meniere's Disease revisited. Otolaryngologic Clinics of North America. 2010 Oct;43(5):1029-40.
7. Vibert D, Caversaccio M, Häusler R. Meniere's Disease in the elderly. Otolaryngologic Clinics of North America. 2010 Oct;43(5):1041-6.
8. Greenberg SL, Nedzelski JM. Medical and noninvasive therapy for Meniere's Disease. Otolaryngologic Clinics of North America. 2010 Oct;43(5):1081-90.
9. Gottshall KR, Topp SG, Hoffe ME. Early vestibular physical therapy rehabilitation for Meniere's Disease. Otolaryngologic Clinics of North America. 2010 Oct;43(5):1113-9.


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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Novas evidências sobre a TENS

Dando continuidade a nossa série sobre efetividade do TENS (link), trago os resultados da última pesquisa sobre o assunto. Um grupo da Turkia publicou este mês no Archives of Physical Medicine and Rehabilitation (FI= 2,184) resultados de uma avaliação duplamente cega entre grupos de participantes randomizados com Síndrome de túnel do carpo (STC), analisando resultados de imagens de Ressonância Nuclear Magnética Funcional1.
Dois grupos de 10 indivíduos com STC receberam uma aplicação de 30 minutos de TENS convencional (T=200µs, F=100Hz, estímulo sensorial, sem contração perceptível) e TENS placebo (sem intensidade de corrente), sobre o nervo mediano. Depois de 20-25 minutos do término da estimulação elétrica, foi encontrada diminuição significativa da ativação cortical de áreas relacionadas a percepção da dor no grupo submetido a TENS, o que não aconteceu no grupo controle (TENS placebo). Esta analgesia durou até 30-35 minutos após o tratamento.
Estudos com RNMf são baseados em alterações no nível de oxigenação sanguínea regional, que refletem mudanças no metabolismo e atividade celular. Esta técnica está sendo cada vez mais utilizada para demonstrar atividade funcional de áreas do cérebro ao longo do tempo e para avaliar a resposta terapêutica de analgésicos em várias condições dolorosas.
A despeito de uma amostra tão pequena, o estudo demonstrou, através de um método científico e inovador, as alterações funcionais que ocorrem no sistema nervoso central após a estimulação elétrica analgésica. Comprovou assim, laboratorialmente, a eficácia do TENS para portadores de STC.
A efetividade, melhor definida como o benefício clínico e de maior relevância para a rotina dos serviços, não foi discutida, pois não foi mensurada pelos autores. Foi feita uma única aplicação, afim de comparar alterações antes e após a estimulação elétrica. O estudo não teve objetivo de avaliar efetividade clínica do recurso, mas adiantou que estes resultados são preliminares de futuras pesquisas neste sentido.

Referência:
1. Kara M, Özçakar L, Gökçay D, Özçelik E, Yörübulut M, Güneri S, et al. Quantifcation of the effects of transcutaneous electrical nerve stimulation with functional magnetic resonance imaging: a double-blind randomized placebo-controlled study. Arch Phys Med Rehabil. 2010 Ago;91:1160-5.
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